Luiza Grings

Resumo da leitura do livro: Storytelling com dados, de Cole Nussbaumer Knaflic

A capacidade de contar histórias com dados é uma habilidade fundamental para conseguir tomar decisões embasadas e transmitir ideias de forma a de fato ter poder de influência.

6 lições principais para iniciar:

  1. Entenda o contexto;
  2. Escolha uma apresentação visual adequada;
  3. Elimine a saturação;
  4. Foque a atenção onde você deseja;
  5. Pense como um designer
  6. Conte uma história;
  1. A importância do contexto:

Para comunicar de forma eficaz, é essencial entender quem é o público e o que ele precisa saber ou fazer, para você entender como deve fazer isso. (O quê? Porquê? Como?). Avaliar o contexto, o canal de comunicação e o tom adequado garante que a mensagem atinja seu objetivo.

  1. Escolha de um visual eficaz:

A escolha do tipo certo de visualização, como textos simples, números grandes, tabelas, mapas de calor, gráficos de barras, inclinação, linhas ou cascata, é essencial para transmitir dados com clareza. Evite gráficos de pizza, rosca e 3D, que podem distorcer a percepção.

  1. A saturação é sua inimiga!

Imagine uma página ou uma tela em branco: cada elemento adicionado a ela absorve carga cognitiva por parte de seu público. Elementos visuais em excesso sobrecarregam o público. É fundamental eliminar o supérfluo e usar alinhamento, contraste e espaço em branco para um design mais claro. Princípios da Gestalt ajudam a otimizar tabelas e gráficos.

  1. Focalize a atenção de seu público:

Considere como as pessoas veem e como você pode tirar proveito disso ao elaborar apresentações. Atributos pré-atentivos, como tamanho, cor e posição, direcionam o foco para as informações mais importantes. Hierarquias visuais bem definidas facilitam o entendimento e o processamento dos dados.

  1. Pense como um designer:

A forma segue a função. O design de produtos tem aplicação clara na comunicação com dados.Visualizações de dados devem priorizar affordances, ou seja, elementos que indiquem intuitivamente como interagir com as informações. Pense primeiro na funcionalidade desejada e, em seguida, crie formas que facilitem a navegação e a compreensão. Conceitos como acessibilidade, estética e funcionalidade ajudam a alinhar o design com o propósito dos dados, tornando-os mais intuitivos e eficazes.

  1. Lições sobre storytelling:

O storytelling pode ser aproveitado na comunicação com dados. Histórias tornam dados mais memoráveis. Uma narrativa clara, com início, meio e fim, organiza as informações e aumenta o impacto. Técnicas como repetição e fluxo narrativo garantem uma comunicação envolvente.

 

A Importância do Contexto em Apresentações com Dados

Ao iniciar uma apresentação com dados, é crucial compreender o contexto da comunicação. Diferencie a análise exploratória, usada para identificar dados relevantes, da análise explanatória, que é focada em explicar algo específico e contar uma história.

– Conheça o Seu Público:

Entender quem é o público (quanto mais preciso, melhor) e como ele interpreta as informações é fundamental. Isso garante que sua mensagem seja transmitida corretamente. Defina também como deseja que o público aja após a apresentação. Somente após isso você pode decidir como usar os dados para defender sua ideia.

Você sempre deve querer que o seu público saiba ou faça algo. Pergunte-se: quais dados estão disponíveis e como eles ajudarão a apresentar minha ideia?

– Apresentações ao Vivo x Documentos Escritos

  • Apresentações ao vivo: Você tem mais controle sobre o que o público vê, como e quando. Elas podem ser mais simples, com possibilidade de aprofundamento durante a interação, pois você está lá para explicar tudo.
  • Documentos escritos: Menor controle sobre a interpretação do leitor, exigindo um maior nível de detalhe, pois você não estará presente para responder dúvidas.

– Perguntas-Chave para Planejamento

  • Quais informações são relevantes ou fundamentais?
  • Quem é o público ou tomador de decisão? O que sabemos sobre ele?
  • Quais predisposições podem influenciar a recepção da mensagem?
  • Quais dados reforçam a tese? São conhecidos pelo público ou novidade?
  • Quais fatores poderiam enfraquecer a tese?
  • Qual seria a mensagem principal em uma frase ou em três minutos?

– A Grande Ideia

Resuma sua mensagem em uma frase com três componentes:

  1. Articule seu ponto de vista único.
  2. Mostre o que está em jogo.
  3. Use uma frase completa.

– A história de 3 minutos

Se tivesse apenas três minutos para apresentar, o que diria? Saber isso ajuda a definir o foco da comunicação.

Exemplo de contexto de: “O que? Por que? Como?”

  • Quem: O comitê de orçamento que pode aprovar os recursos financeiros para a continuação do curso de verão.
  • O quê: O curso de verão sobre ciências foi um sucesso; favor aprovar o orçamento de R$X para continuarmos.
  • Como: Ilustrar o sucesso com dados coletados por meio da avaliação realizada antes e depois do programa-piloto.

– Exemplo da História de 3 minutos: um grupo do nosso departamento de ciências estava em um debate livre sobre como resolver um problema permanente que temos com os alunos que chegam à quarta série. Parece que, quando as crianças têm sua primeira aula de ciências, chegam com a postura de que será difícil e que não gostarão. No início do ano escolar, demora um bom tempo para superar isso. 

Então, pensamos: e se tentarmos expor as crianças à ciência mais cedo? Podemos influenciar a percepção delas? Fizemos um projeto-piloto de um curso de aprendizado no verão passado, com o objetivo de fazer justamente isso. Convidamos alunos do ensino básico e formamos um grande grupo de crianças do segundo e do terceiro ano. Nosso objetivo era expô-los mais cedo à ciência, na esperança de formarmos uma percepção positiva. Para saber se fomos bem-sucedidos, avaliamos os alunos antes e depois do programa. 

Descobrimos que, ao entrar no programa, o maior segmento dos alunos, 40%, se sentia apenas “Bem” em relação à ciência, enquanto, após o programa, a maioria mudou para percepções positivas, com quase 70% do total de alunos expressando algum grau de interesse nas ciências. Achamos que isso demonstra o sucesso do programa e que devemos não apenas continuar a oferecê-lo, mas também expandir nosso alcance com sua continuidade.

– Grande Ideia: O programa piloto de verão foi um sucesso na melhoria das percepções dos alunos sobre ciências e, graças a esse sucesso, recomendamos continuar a oferecê-lo continuamente; favor aprovar nosso orçamento para esse programa.

Exemplo de storyboard:

  • Problema: Às crianças não gostam de ciências;
  • Demonstrar o problema: mostrar às notas dos alunos no decorrer do ano;
  • Ideias para superar o problema, incluindo o programa piloto;
  • Descrever o programa piloto, objetivos etc;
  • Mostrar dados da avaliação antes e depois para demonstrar o sucesso do programa;
  • Recomendação: o programa piloto foi um sucesso, vamos expandi-lo e precisamos de $$

 

Recomendações sobre a visualização dos dados:

  • Big numbers: Quando você tem apenas um número ou dois para compartilhar, um simples texto pode ser uma ótima maneira de se comunicar. 
  • Tabelas: Interagem com nosso sistema verbal, pois lemos seus elementos. São úteis para comunicar várias unidades de medida diferentes. Evite bordas e linhas divisórias muito marcadas; prefira deixá-las discretas para destacar os dados principais. Em apresentações ao vivo, evite tabelas, pois são mais difíceis de interpretar rapidamente.
  • Mapas de calor: Combinam detalhes de tabelas com pistas visuais, utilizando células coloridas que indicam a magnitude relativa dos números. Use uma única cor com variações de tonalidade, evitando muitas cores diferentes. Sempre inclua uma legenda, indicando o que representam os valores baixos e altos.
  • Gráficos de linha: Indicados para registrar dados contínuos, geralmente relacionados ao tempo. Eles podem mostrar uma ou mais séries de dados, facilitando a identificação de tendências e variações ao longo do tempo.
  • Gráficos de linhas inclinadas: úteis para comparar dois períodos de tempo ou pontos de dados, destacando aumentos ou diminuições entre diferentes categorias. Eles facilitam a visualização das diferenças relativas entre vários pontos de dados.
  • Gráficos de barras: Muito comuns e intuitivos, tornam mais fácil a interpretação. Os olhos rapidamente comparam as extremidades das barras, identificando a maior, a menor e as diferenças entre categorias. Sempre inicie com uma linha de base zero para manter a precisão visual.
    • Cuidado com gráficos de barras verticais com muitas séries de dados, eles ficam difíceis de ler. Pedem legendas/categorias mais curtas.
    • Barras horizontais: é um dos mais fáceis de ler, e comporta textos maiores para suas legendas/categorias.
    • Barras horizontais empilhadas: visualizar partes de um todo, em uma escala de negativo para positivo e permite fácil comparação.
    • Gráficos de barras empilhadas requerem maior cuidado para os dados que serão comparados. De preferência coloque os valores de interesse nas bases ou topos (extremidades que tem um início ou fim alinhados) e não no meio.
  • Gráfico de cascada: Podem ser usados de modo a separar áreas de um gráfico de barras empilhadas, enfocando nas partes de interesse e a variação entre eles para comparações.
  • Gráficos de áreas: são mais difíceis de o olho humano ler e comparar valores. Funciona mais com dados de magnitude muito diferentes.

Pontos importantes de lembrar:

Acessibilidade e verificaçao daltonismo: vischeck.com  ou checkmycolours.com 

– A leitura do olho humano ocidental se dá em Z (do canto superior esquerdo para a direita, abaixo e então se repete).

 

O que é uma história? Em um nível fundamental, uma história expressa como e por que a vida muda. Elas começam com equilíbrio. Então algo acontece, algo que tira o equilíbrio (tensão, conflito). E depois algo é feito sobre isso (desenrolar da história para um final/conclusão).

  1. O ambiente: quando e onde a história ocorre?
  2. O personagem principal: quem está conduzindo a ação? (Isso deve ser enquadrado de acordo com seu público!)
  3. O desequilíbrio: por que é necessário, o que mudou? 
  4. O equilíbrio: o que você quer que aconteça?
  5. A solução: como você vai provocar as mudanças?

“How to write with style”

  1. Encontre um assunto pelo qual você se preocupa genuinamente, isso será naturalmente encantador.
  2. Não divague
  3. Simplifique. Os grandes mestres escreveram frases quase infantis quando seus assuntos eram mais profundos. “Ser ou não ser?””
  4. Tenha coragem de cortar. Se uma frase não ilumina seu assunto de algum modo novo ou útil, elimine-a.
  5. Seja você mesmo, não tente parecer outra pessoa ou coisa.
  6. Diga o que pretende dizer com clareza. Tente ser o mais direto o possível
  7. Tenha compaixão dos leitores (eles precisam de simplicidade e esclarecimento).

Desenvolva melhor a situação ou problema, abordando as informações relevantes.

  • Incorpore o contexto externo ou pontos de comparação. 
  • Dê exemplos que ilustrem a questão. 
  • Inclua dados que demonstrem o problema.
  • Enuncie o que acontecerá se nenhuma ação for adotada ou nenhuma mudança for feita.
  • Discuta possíveis opções para tratar do problema. 
  • Ilustre as vantagens de sua solução recomendada.
  • Torne claro para seu público por que ele está em uma posição privilegiada para tomar uma decisão ou adotar uma ação.

 

O poder da repetição e recaptulação:

Para empregar o poder da repetição, vamos explorar um conceito chamado Bing, Bang, Bongo. Você deve dizer primeiro ao seu público o que contará a ele (“Bing”, o parágrafo introdutório em seu ensaio). Então, você conta a ele (“Bang”, o conteúdo do ensaio). Em seguida, você resume o que acabou de contar (“Bongo”, a conclusão).

– Lógica horizontal: você pode ler apenas o título de cada slide de toda a sua pilha e, juntos, esses fragmentos contam a história abrangente que quer comunicar. É importante ter títulos de ação (não títulos descritivos) para que isso funcione bem. Uma estratégia é ter um slide de resumo diretor na frente, com cada marcador correspondendo a um título de slide subsequente na mesma ordem.

– Lógica vertical: significa que todas as informações de determinado slide se auto-reforçam. O conteúdo reforça o título e vice-versa. As palavras reforçam o visual e vice-versa. Não há nenhuma informação extrínseca ou não relacionada. 

– Storyboard inverso: Você pega a comunicação final, a folheia e anota o ponto principal de cada página (essa é uma ótima maneira de testar também sua lógica horizontal). A lista resultante deve ser parecida com o storyboard ou esboço da história que você quer contar.

Recursos sobre Visualização de Dados e Storytelling Visual:

  1. Storytelling with Data (https://storytellingwithdata.com): Exemplos práticos e remodelações visuais para comunicação eficaz com dados.
  2. Eager Eyes (https://eagereyes.org) – Robert Kosara: Conteúdo detalhado sobre visualização de dados e storytelling visual.
  3. FiveThirtyEight’s Data Lab (https://fivethirtyeight.com/datalab) – Vários autores: Estilo gráfico minimalista com análises de notícias e eventos.
  4. Flowing Data (https://flowingdata.com) – Nathan Yau: Exemplos gratuitos de visualização de dados; conteúdo premium disponível para membros.
  5. The Functional Art (https://thefunctionalart.com) – Alberto Cairo: Introdução às imagens gráficas com conselhos e exemplos práticos.
  6. The Guardian Data Blog (https://theguardian.com/data) – Vários autores: Dados vinculados a notícias com visualizações e análises.
  7. HelpMeViz (https://helpmeviz.com) – Jon Schwabish: Feedback colaborativo para visualizações e arquivos de exemplos.
  8. Junk Charts (https://junkcharts.typepad.com) – Kaiser Fung: Foco em melhorar elementos gráficos e criticá-los construtivamente.
  9. Make a Powerful Point (https://makeapowerfulpoint.com) – Gavin McMahon: Dicas acessíveis para apresentações e visualização de dados.
  10. Perceptual Edge (https://perceptualedge.com) – Stephen Few: Abordagem prática para comunicar e racionalizar dados.
  11. Visualising Data (https://visualisingdata.com) – Andy Kirk: Recursos mensais e insights sobre o desenvolvimento da área.
  12. VizWiz (https://vizwiz.blogspot.com) – Andy Kriebel: Melhores práticas em visualização e dicas para Tableau Software.